terça-feira, 27 de maio de 2008

Ao raio maior

Sabe aquele dia que você acorda estranha?
Que o tempo parece diferente e agradável, apesar de que, quando você abre a janela, ele está igual a todos os outros dias?
No caminho para a cozinha, em busca do café da manhã, você percebe que não vai dar tempo de tomar mais do que um copo de leite, porque em poucos minutos sua carona vai ligar dizendo que está passando. Mas isso simplesmente não te irrita. Como não?
A roupa que você escolhe não é a mais bonita do seu armário, nem a mais estilosa, nem a que te veste melhor. Mas hoje, você se sente simplesmente linda.
Ao sair de casa, você sente aquele ar gostoso de inverno verão ao mesmo tempo fazendo seu cabelo voar... em São Paulo?
Por mais que tudo aconteça igual, hoje está diferente. Está sim.
Aquele professor com sonífero na voz dá uma aula tão interessante...
Aquela chata da sua sala faz, pela primeira vez, um comentário útil!
No intervalo, o pão de queijo que você sempre compra, acabou de sair do forno.
Os funcionários sorriem pra você e desejam bom dia. Será que sempre foi assim? Será que hoje eles sabem que você está diferente? Ou você por estar diferente é que viu tudo isso acontecendo?

Acho que hoje acordei assim...

As vezes as coisas acontecem. Bem na nossa frente. E a gente se acostuma tanto com a rotina que passa a não enxergá-las. Por vezes cometendo a injustiça de não reparar uma mudança ou um comportamento diferente.

Nada melhor que uma boa noite de sono, um jantar agradável com a família, um butequinho com velhos amigos, uma musica na hora certa, ou alguém especial que, apenas para te agradar, mandou uma mensagem carinhosa. São coisas pequenas que fazem seu dia nascer diferente. Ou o meu dia. Se a gente quiser...

À pessoa que fez meu dia de hoje ser assim. Sem nem saber que fez...

domingo, 25 de maio de 2008

Corpus Christi

As vezes é preciso ir até lá, viajar 184 km, para encontrar aquela pessoa que mora aqui pertinho, mas que você nunca vê. Porque naquele centro tem gente do Brasil inteiro. Se bobiar, até do mundo!
Mesmo as meninas mais roots passam pelo menos um blush para sair de casa e dar aquela voltinha. É um desfile de marcas, de botas, de cabelos lisos de chapinha. E quem não usa ou não faz nada disso, é porque quer aparecer e ser diferente. Pior ainda.
Os homens, que nessa hora realmente deram um azar incrível de nascer homens, pagam pelo menos R$ 80,00 seco (sem consumação) para entrar numa mísera pista de balada. E como todos compram e não reclamam, isso nunca vai mudar.
É quase impossível parar de comer. E nessa cidade, todos são gordinhos, seja da blusa de manga cumprida encoberta pela malha, pelo casaco e o cachecol, ou seja pelos inúmerol crepes, morangos com chocolate, pizza quadrada, pastel do Maluf, fondues e aquele chocolate quente (que um mini mini potinho custa R$ 5,00, mas que é realmente bem bom) de 2 em 2 minutos.
No shopping nem se fala em compras. Até porque chega a ser engraçado a grande inflação que rola. Pra tudo. Desde grandes marcas de roupa até uma batata frita do BK. Inflacionado. Simplesmente nada vale a pena. E eles sabem disso... E as pessoas que entram também sabem. Só entram pra se esquentarem, e na maioria das vezes, pra fazer um socialzinho básico, quem sabe encontrar alguém interessante.
Baden Baden? Montanhês? Nem pedindo lincença.

E apesar de tudo isso... Ainda existe aquele brilho. Aquele glamour de estar em Campos, mesmo que no auge da modinha. Ainda é bom passar em frente da Phoenix... Tantas noite, tantas pessoas, tantas dancinhas ridiculas em cima da mesa do camarote. Que delicia que era ficar naquela fila, com uma regata e uma jaquetinha em plenos 2 graus. Esperar a vez para mostrar o RG falsificado e passar nervoso antes de entrar... E só tinha pirralhada mas todo mundo ia. Ir pro centrinho e dar um milhão de voltas... Até encontrar o alvo. E quando encontrava, empinava o nariz e passava reto, fingindo que não viu. Ai aii... Estátuas humanas de anjo branco, cachorros andando por todas as ruas, e de vez em quando, uma nota de dois reais caida no chão.
Não sei se ainda tenho idade pra isso... Mas a verdade é, que sabendo que era assim, repeti tudo de novo.

Dedicado à Natalia e Gustavo, por sentirem frio comigo.

Para mim, minhas regras, Vi.

Para mim,
brinca aquele que sabe se divertir
não o que sabe as regras da brincadeira.

Para mim,
canta afinado aquele que canta desafinado
mas sente o que diz.

Para mim,
desenha aquele que sabe usar as cores com vontade
não o que se preocupa com a delimitação dos traços.

Para mim,
escreve certo aquele que escreve errado
mas vive o que está escrevendo.